segunda-feira, 8 de outubro de 2007

Tá tudo louco

Esta é daquelas que tenho de ler várias vezes, para confirmar a minha tradução. Inacreditável: a inglesa "Performing Right Society" [PRS], que cobra os chamados direitos de execução, pretende que uma cadeia de oficinas pague 200 mil libras porque a música ouvida pelos empregados é audível pelos clientes!

Para tua informação, as estações de rádio já pagam direitos de execução. As regras são, naturalmente, nacionais; por exemplo, nos EU as rádios tradicionais não pagam. No RU pagam, acreditando em declarações como esta. Isto é, o cliente pode ouvir a estação de rádio se trouxer o aparelho "individual", mas não pode ouvir através do material da casa.

Não consegui obter uma versão da PRS, por isso ficam algumas dúvidas. Estavam os empregados a utilizar aparelhos próprios, ou a rádio era difundida através de meios da empresa? Uma empresa necessita licença para transmitir rádio exclusivamente para funcionários? E se escutarem apenas notícias? Em Portugal a legislação é confusa como costuma ser; a entidade reguladora é a PassMúsica (sítio horrível, sediado nos EU).

O teu leitor mp3 é fatela e bota bué da som ká pra fora? Baixa o vol, meu, ou arriscas uma multa. É o que fazem na oficina de motos Bedlam Scooters, Bedford: quando entra um cliente desligam o rádio.

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terça-feira, 2 de outubro de 2007

Quanto queres pagar?

O grupo Radiohead [ ver aqui ] pode ter iniciado, TLQECV, uma forma de vender na rede. Para o próximo trabalho disponibilizam duas formas de venda: a versão para coleccionadores, uma caixa com vinil e CD; e a versão para ouvintes, um conjunto de ficheiros mp3. Agora, a novidade: o preço dos mp3 é deixado ao critério do comprador. A sério, pagas o que quiseres!

(via Boing Boing)

O mais interessante é que este conceito não é aplicável apenas a música, pode ser utilizado em quase todas as distribuições de formatos digitais através da rede. Na maior parte dos casos os custos de produção são independentes do número de cópias distribuídas, não existem caixas ou suportes individuais; os custos de divulgação também não dependem das cópias reais; e a distribuição efectiva é quase toda suportada pelo cliente.

Que perdem os Radiohead com este esquema? Pouco. A maior parte dos clientes que comprariam o trabalho através da rede vão pagar o "normal" estabelecido pelo mercado. Alguns pagarão mais como demonstração de suporte.

Os ganhos são expectavelmente superiores. Para já, na publicidade: há poucos minutos já estavam a falar deste acontecimento na Sic Radical. Depois, no "mundo alternativo": esta forma de venda elimina a "desculpa moral" que alguns utilizam - perante os próprios - para recorrerem à partilha de ficheiros.

Pena é que a música não seja grande coisa.

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terça-feira, 29 de maio de 2007

OVO - o mundo é já aqui

terça-feira, 1 de maio de 2007

Direitos de execução

SoundExchange é uma agência que, nos Estados Unidos, cobra e distribui direitos relativos à reprodução de música através de meios digitais, como a internet. Estes "direitos de execução" são diferentes dos direitos de autor: não se trata aqui de quem criou os temas, mas de quem efectuou a gravação. Foram criados através de legislação e SoundExchange (um filho da RIIA) é a entidade que controla cobrança e distribuição.

Estes direitos não são cobrados às estações de rádio hertzianas nos EU, devido às pressões exercidas pela National Association of Broadcasters [NAB]; mas esta é uma excepção, não a regra "ocidental".

Nos últimos meses a SoundExchange tem sido criticada. Primeiro foi a constatação que alguns/muitos executantes não recebiam os direitos: a SoundExchange cobra por qualquer peça de musica transmitida mas só paga a quem os reclama. Agora [a partir de 15 Maio], novamente por legislação, os direitos passam a ser cobrados por música por ouvinte, o que está a provocar uma reacção das radios em rede; pelo menos radios com pouca publicidade ou nenhuma terão que fechar ou alterar o modelo.

A SoundExchange portuguesa parece chamar-se PassMúsica.

Todo o produtor tem direito a ser recompensado pelo seu trabalho. No entanto a fixação de valores através de lei e a cobrança indiscriminada desses pagamentos parece-me contrária à liberdade que cada um deve ter para negociar essa recompensa. Acredito que alguns autores/executantes queiram outros tipos de contrato, ou até abdicar dos "direitos de execução", de forma a verem o seu trabalho mais divulgado.

Por outro lado parece-me que todos os "cobradores" têm monopólio em cada país. Mesmo que sejam entidades sem fim lucrativo algo hão-de cobrar para custos da organização. Com o tempo, protegidas pela legislação, essas entidades podem tornar-se máquinas burocráticas e deixar de servir os seus "clientes".

Exagerando, é o mesmo que todos os canalizadores receberem o mesmo valor seja qual for o tipo de obra; as cobranças serem feitas por uma entidade para-governamental; e o meu vizinho ser obrigado a pagar se eu for lá a casa apertar uma torneira.

One of the wonders of the world is going down

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