quinta-feira, 4 de outubro de 2007

Free Burma!

Poisoned legends started to insurrect when the doomed sky refused to shine. Dathana blog here in the quest for the key of sky.

May the people's wish fulfilled

Today, I was overwhelmed with excitement for seeing flood of monks and people from all layers marched on the streets. At around 2 pm, about 30thousand of monks passed near the Thein-Gyi market. Majority were monks but people walked at the side of monks holding each others hands. I joined them walked for a coupe of blocks. I couldn't walk along all the way because my parents are such worrisome. On my way back home I met the another marching crowd near YuZana Plaza. This marching crowd is much much greater than previous one. Majority is people this time. I think there must me around 100 thousand of people. Watching people at the side of road showed their support with applause. And slogans people shout is "May the people's wish fulfilled". According to news when that crowd reached Hlel-dan junction the number of people reached to about two hundred thousand. Along the way they walked, monks continuously chanted the goodwill sending prayers.
September 24, 2007


I walked with the parade today too. There were student groups holding fighting peacock flag in the parade. I participated for about half an hour only because of the reason I said before. People's participation is immense even though there is rumors that SPDC will crack down the demonstration violently. All we shouted were good will prayers, and "May the people's wish fulfilled". I mean, the parade just make wishes for peace in all around. There is no slogans like protesting movements.
September 25, 2007

Today, Military (SPDC) started to crack down peaceful demonstrations violently. [...]
September 26, 2007


Os relatos de Dathana e os seus fantasmas estão interrompidos desde 28 de Setembro, quando escreveu que as ligações à rede foram restringidas na Birmânia. No entanto outros blogs continuam activos. Espero que tudo esteja bem com Dathana, e os seus desejos sejam brevemente satisfeitos.

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quarta-feira, 23 de maio de 2007

Liberdade: um estudo de caso (II)

Tanto quanto pude apurar domingo não houve notícias sobre o caso do professor alvo de um processo disciplinar porque "insultou" o primeiro-ministro, ou "fez um comentário jocoso" sobre o mesmo. O assunto só foi aquecido por um comentário de Vasco Pulido Valente no Público:
Posto isto, não há nada que se diga ou não diga sobre o assunto [licenciatura de Sócrates] que de longe ou de perto mereça o nome de “insulto”. Vi por aí T-Shirts , com este dístico: “Não andei na Universidade com Sócrates”. São um insulto? Se Cavaco desta vez se cala, aprova a delação colectiva como método político (quem não discutiu a história da licenciatura? Quem não se riu?) e a pena administrativa como represália legítima do Governo. Mário Soares não se calava. Jorge Sampaio também não. A responsabilidade final, de resto, está em Belém.


O Jornal de Notícias de segunda-feira dava conta que o PSD iria enviar um requerimento à ministra da Educação para tentar perceber o que levou à suspensão e publicava uma pequena carta a José Sócrates de Francisco José Viegas:
Seja como for, acho que a directora da DREN se excedeu. Foi mais papista do que o papa e causou-lhe, a si, um problema: o de poder passar a haver despedimentos por "delito de opinião", o que é muito grave. O senhor dirá que não se trata de um despedimento mas, na pobre linguagem da pequena política, já se sabe que não basta "ser" - é também necessário "parecer". Ora, isto parece, exactamente, "delito de opinião".
Este assunto pode vir a ter consequências piores para a imagem do actual governo que o caso da licenciatura. Enquanto a licenciatura não afectou materialmente outras pessoas e até foi desvalorizada pelo espírito "desenrasca" e "cunha" de muitos portugueses; a suspensão parece prejudicar o professor e, pior, foi originada por uma acção odiada por quase todos: a denúncia — há pessoas que não conseguem telefonar às autoridades quando há barulho às 2 da manhã, por vergonha da denúncia.


Terça-feira foi parca em notícias sobre o assunto: apenas um resumo dos acontecimentos no Jornal de Notícias onde era dada uma versão benévola da origem de toda a discórdia:
— Se precisares de um doutoramento tens que enviar por fax.


Hoje o assunto continua no Jornal de Notícias com o pedido de esclareci­mentos sobre o processo disciplinar por parte do provedor de Justiça (também no Público) e vai rebentar no Correio da Manhã e no Diário de Notícias. O primeiro publica nova versão da frase polémica, "confirmada ao CM por fonte oficial":
— Estamos num país de bananas, governado por um filho da p... de um primeiro ministro.

O Diário de Notícias tem, finalmente, quatro artigos na rede. Enquanto a Ministra recusa ir ao Parlamento alegando "autonomia" da DREN, a oposição parlamentar considera o caso uma tentativa de limitação da liberdade de expressão e o governo admite que a decisão foi contraproducente e negativa do ponto de vista político. Além de uma caracterização do professor e uma opinião ligeira temos o que eu mais esperava: os especialistas em direito administrativo (negritos meus):
O constitucionalista Jorge Miranda não conseguiu mesmo esconder a sua indignação com o comportamento de Margarida Moreira, chegando ao ponto de dizer que "quem deveria ser demitido era a directora regional".
Para o professor da Faculdade de Direito de Lisboa, "houve um delator, o que é uma coisa profundamente triste", desabafou. Jorge Miranda entende que "o princípio constitucional da liberdade de expressão não pode ser posto em causa dentro da administração pública". E, acrescenta, "se houve injúria ou difamação, a questão tem de ser resolvida em tribunal e nunca por via administrativa".
A questão da delação foi também vincada por Pedro Lomba. "A responsável ordenou a suspensão preventiva a partir de um testemunho indirecto, o que me parece muito grave num processo de avaliação de culpa". Para este especialista em direito constitucional e administrativo, a suspensão preventiva é "claramente desproporcionada", já que se destina a falhas muito graves dos funcionários, o que "não é manifestamente o caso". Além disso, "é muito discutível que estejamos perante uma infracção disciplinar, que implicaria uma violação dos deveres profissionais".
O advogado Paulo Veiga e Moura, que publicou um livro sobre os direitos e deveres dos funcionários públicos, também condena a sanção aplicada a este professor. Apesar do funcionário público "não ser um indivíduo qualquer, também não é estéril do ponto de vista cívico e político". Assim, se por um lado os trabalhadores do Estado devem aceitar uma limitação da sua liberdade de expressão enquanto desempenham as suas funções, por outro lado, esta contenção só é exigível quando possa estar em causa "um prejuízo para a qualidade ou prestígio do serviço público". Ora, uma simples piada não ameaça o correcto funcionamento do serviço, conclui.
Quase todas as opiniões apontam para o mesmo final: muito dificilmente o professor será considerado culpado. Fica a pergunta: e a directora? Quanto ao delator já sabemos: na melhor das hipóteses vai perder o respeito de quase todos os colegas.

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domingo, 20 de maio de 2007

Liberdade: um estudo de caso

Ontem foi notícia no Público o caso de um professor requisitado pela Direcção Regional de Educação do Norte (DREN) que foi suspenso de funções por ter comentado a licenciatura do primeiro-ministro José Sócrates. A directora regional justificou a suspensão por "poder haver perturbação do funcionamento do serviço". Segundo o blog de João Tilly o comentário não parece perturbador para o serviço:
— Vigarista? O maior vigarista é o Sócrates!

Quando muito pode ser perturbador para Sócrates, mas com comentários destes todas as figuras públicas estariam perturbadas neste momento. O caso foi denunciado à directora regional que convidou o autor a demitir-se, perante a recusa foi suspenso por 30 dias e foi aberto um processo disciplinar. Na minha opinião a "perturbação do funcionamento do serviço" foi provocada pela directora.

Entretanto o ministério decidiu pôr fim à requisição e o professor regressou ao seu estabelecimento de ensino, o que na prática significou o fim da suspensão. Se por um lado isto pode ser visto como uma tentativa de impedir um resultado favorável à providência cautelar entretanto interposta, também pode o ministério ter optado por uma situação neutra enquanto é concluido o processo disciplinar porque não existem condições para o professor continuar na direcção.

Vou estar atento à conclusão do processo. Depois das múltiplas referências à difusa "claustrofobia democrática" existente em Portugal chegou a vez de verificar na prática como está a nossa liberdade de expressão.

Ver ainda: comentário feito pelo professor no blog Quarta República

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sábado, 19 de maio de 2007

A verdade liberta

"E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará" (João:8:32)

Durante a minha visita aos "blogs de fim-de-semana" (os que não leio diáriamente) uma opinião no Insurgente chamou-me a atenção porque contestava uma afirmação ouvida na TSF: "o capitalismo é responsável por existirem cada vez mais pobres", teria dito o papa Bento XVI. Que não, dizia o autor: o papa só falou de "uma inquietante degradação da dignidade pessoal com a droga, o álcool e as subtis ilusões de felicidade". Mau, já não podemos confiar nos jornalistas?

Numa pesquisa que fiz encontrei uma fonte que aceitei como fidedigna, a transcrição completa do discurso do papa no sítio da Agência Ecclesia:

O sistema marxista, onde governou, não só deixou uma triste herança de destruições económicas e ecológicas, mas também uma dolorosa destruição do espírito. E vemos o mesmo também no ocidente, onde cresce constantemente a distância entre pobres e ricos e se produz uma inquietante degradação da dignidade pessoal com a droga, o álcool e as subtis ilusões de felicidade.

Existem diferenças entre "capitalismo responsável por mais pobres" e "no ocidente cresce distância entre pobres e ricos"; por outro lado o autor da opinião estava a citar de ouvido e não encontrei referências no sítio da TSF, nem conheço o contexto da afirmação. Mas a completa negação da crítica, por parte do Papa, à distância entre pobres e ricos não é correcta. E a associação entre ocidente e economia capitalista é frequente.

Não quero acusar o autor de má-fé, apenas da tendência natural que o "bloguismo de causas" tem para ouvir apenas aquilo que quer ouvir. Na realidade uma pesquisa no Google com [pope brazil "worrying degradation of personal dignity"] produz 12.800 entradas, enquanto [pope brazil "growing gap between rich and poor"] produz 23.000.

Mas o modo acrítico como as fontes agradáveis ao ouvido são aceites acaba por minar a credibilidade de quem as reproduz. Logo no dia seguinte outro Insurgente reproduzia uma opinião do Apaniguado, que citava o Gates of Vienna: "o Procurador Geral da República Finlandesa impôs que mediadores (indicados pelo estado) fossem nomeados para 'mediar' fóruns de discussão na internet (blogues incluídos!)". A censura na rede é um assunto a que dedico atenção e fui procurar mais informações.

Fontes mais próximas da origem mostram que quem conta um conto acrescenta-lhe um ponto: o que era uma sugestão ou desejo de forums e blogs terem obrigatória­mente os seus próprios moderadores transformou-se em dois passos num facto consumado com moderadores indicados pelo estado. A proposta é impossível de concretizar e apenas mostra falta de conhecimentos por parte do procurador.

Parece que, mais que com os jornalistas, é necessário ter dupla precaução com o bloguismo de causas.

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sexta-feira, 18 de maio de 2007

Auto-regulação não é censura

Segundo um artigo publicado pela BBC, a OpenNet Initiative publicou os resultados de uma pesquisa (sem fonte) que aponta para uma crescente censura na rede (mais aqui). Registo com agrado a situação na Europa:

At the EU level there have been efforts over the past decade to create a common platform of "harmonized" Internet regulation. With regard to the filtering of online content, the emphasis has been on greater cooperation among industry, the public, and enforcement authorities within nations and increased voluntary industry self-regulation.

Quase todos os locais de comunicação na rede do tipo "um-para-muitos" (forums, blogs) têm algum tipo de regulação. Um dos meus preferidos é um sistema implementado em alguns forums onde os utilizadores ganham autoridade para regular depois de fazerem um determinado número de entradas, mostrando que estão empenhados naquele grupo de discussão. Outro exemplo de auto-regulação é a difusa "ética na rede", que também pode ser utilizada em comunicação "um-para-um" (e-mails).

A auto-regulação não deve ser confundida com censura. Quem considere que a sua posição está a ser incorrectamente suprimida tem a liberdade de procurar outro grupo ou criar um sítio pessoal: a liberdade de expressão não é um direito a "ser ouvido", é um direito a "poder falar".

A auto-regulação é uma arma eficaz contra a censura em sociedades onde existe liberdade de expressão porque diminui a possibilidade de puristas com poder se sentirem tentados a regular, começando com temas quase consensuais como a pornografia infantil. Este é um caminho com destino incerto. Prefiro uma filtragem clara oferecida pelos distribuidores de informação, continuamente sujeitos às preferências dos utilizadores, a uma filtragem imposta pelos governantes.

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